sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O "super" post explicativo pós transplante!

OK gente, esse blog não parou. Como muitos sabem, passei por um transplante renal no dia 25 de julho, e cá estou, em casa descansando.

Esse post pretende ser um pouco mais comprido e mais chato que os demais do RDK, mas acho que é necessário. 

A internação

Fui internada na ala de Transplante Renal no Hospital das Clínicas da FMUSP, no dia 23 de julho a noite. No dia seguinte, uma terça feira, foram realizados vários exames pré cirúrgicos necessários, como hemogramas, eletrocardiogramas, raio-x do tórax. Minha mãe, que foi a doadora, foi internada nesse dia, e teve que passar por mais exames do que eu, para decidirem de vez qual dos rins dela irião tirar. Foi nesse dia também que fiz a minha última hemodiálise, de apenas 3 horas e meia, porém tiraram beeeem mais do que estava acostumada o que me deixou um pouco fraca para o restante do dia.

O pré - transplante

Além das preparações normais de uma pessoa que vai passar por uma cirurgia (tricotomia, higiene, jejum...), colheram o meu sangue novamente para compararem os níveis de creatinina (toxina que indica a função atual do rim) no pré e pós transplante. 

Essa madrugada foi meio difícil para dormir, eram 6 hrs da manhã quando fomos para a maca, tomamos uma bela duma injeção na bunda ( acho que era um tranquilizante, por que mal lembro do caminho da enfermaria para o centro cirúrgico). 

A cirurgia

As salas eram uma do lado da outra. Enquanto abriam a minha mãe, me preparavam um "cantinho" para colocarem o novo rim (mantive os dois primitivos, pois eles ainda trabalham um pouquinho e não estão me causando nenhum outro mal), que fica próxima a fossa ilíaca direita (ouvi tanto esse termo que resolvi por aqui..riarairia..na verdade ficou parecendo quase uma cesária). A cirurgia foi bem, embora descobriram ao abrirem a minha mãe que o rim direito tinha 2 artérias, o que fez demorar um pouco mais o procedimento ( de 4 horas foram para 5 horas e meia). Como foi anestesia geral, eles me entubaram, só que quando acordei, na sala de recuperação, já estava sem o tubo, PORÉM, tinha mais um catéter central no pescoço (estou ainda com o famigerado Permcath =( ), um acesso venoso no meu braço  e uma sonda vesical estuprando a minha uretra e uma dor terrível no meu abdomem, e para ajudar ainda tinha a tosse por causa do tubo, o que fazia doer beeem mais. Me deram duas doses de morfina e fiquei boa, e logo me mandaram para a enfermaria junto com a minha mãe (fomos internadas no mesmo quarto da lotada enfermaria de transplantados renais).

O pós - transplante

Foi bem mais difícil do que eu imaginava. Além da dor da minha primeira cirurgia (e confesso que sou beeeem sensível a dor), ainda tinha o incômodo da sonda vesical (que fiquei durante 5 longos dias). O cateter central nem me incomodava tanto, pois já estava acostumada ( ele é beeem mais fino que os da diálise que já tive, super fixinha!!).

Tô linda, tô amarela, tô sobre efeito de altas doses de dorgas e muito rock'n'roll! riairiairiai

Eu e minha mãe =)


Os 5 dias seguintes e as preocupações

Nunca imaginei que iria passar por algumas situações: No dia após a cirurgia, não conseguia sair da cama para tomar banho no banheiro e tive que tomar banho de leito, e quem me conhece, sabe que sou MUITO tímida em relação a isso, mas aí lembrei que as enfermeiras já estavam mais que acostumada com esse preocedimento, e consegui me controlar um pouco. No mesmo dia tive a minha primeira ultrassom com dopler, o que começou a indicar que algo não estava certo com o Gevásio, parte do rim não estava recebendo fluxo sanguíneo, e mais tarde também me deram o resultado da queda de creatinina: de 7.9 caiu para 5,9 uma queda boa, porém não perfeita para um rim de doador vivo.

Conforme os dias foram passando, fui tomando altas doses de imunossupressores (para não dar rejeição do órgão), o que foi me deu uma bela de uma diarréia, mas felizmente eu já estava conseguindo levantar do leito, né? Também não conseguia dormir, de tão irritada que estava a minha uretra com a sonda. Durante 4 dias seguidos tive que fazer ultrassom, que não mostravam melhoras. A queda da creatinina também não era muito convincente, ficou em torno de 3,4 por uns 4 dias, sem alteração nenhuma (o normal é até 1,5). E isso aumentava ainda a desconfiança que algo não estava bem com o Gevásio.

O que me impressionava era a quantindade de urina que eu fazia, cheguei a urinar 3 litros e 600 ml em um dia só! Para quem urinava em média apenas 700ml por dia, isso era até assustador!! As enfermeiras (e hoje a minha tia Meire, que veio lá de Minas para ajudar aqui em casa, já que estamos eu e a minha mãe de "repouso") brigavam comigo para BEBER ÁGUA! Sério! Depois de quase 9 meses bebendo quase nada de água, isso era surreal para mim!!

O tão esperado quinto dia pós operatório

Nesse dia acordei radiante, era o dia que iriam tirar aquela sonda e eu poderia então usar um pijama, e não uma camisola (sim, daquelas que mostram a bunda), e poderia andar livremente pelos corredores.

No mesmo dia, uma segunda feira, minha mãe recebeu alta, não antes sem receber duas bolsas de concentrado de hemácias (ela teve uma hemorragia feia durante a cirurgia por causa das duas artérias que tiveram que cortar). Eu ainda iria ficar internada por uns bons dias, para descobrirem o que estava acontecendo com o meu rim.

A tomografia e seu resultado

Na quarta feira, uma semana depois transplante, resolveram fazer uma tomografia para ver se tinha algo errado com as artérias do Gevásio. O exame em si não é ruim, o duro foi pegar um outro acesso venoso, já que ia receber contraste. Foram umas três picadas até acharem uma veia calibrosa. Nesse momento eu já estava chorando de dor (ODEIO, tipo...ODEIO MESMO ACESSOS VENOSOS). E a agulha, para ajudar, ainda era super grossa! Estouraram umas 3 veias minhas nessa brincadeirinha.

A tarde, o doutor veio até mim falar o resultado. Uma das artérias trombosou, e assim uma parte (praticamente metade do rim) fica sem fluxo sanguíneo. Ou seja, embora eu tenha um rim novinho aqui, este também trabalha beem menos que deveria, logo a idade útil dele diminui bastante. No dia fiquei bem abalada, chorei bastante, minha pressão arterial foi para 17 por 11, minha frequência cardíaca para mais de 150. Mas conforme o dia foi passando, fui me acalmando...pelo menos me livrei da diálise por um bom tempo e tenho alguns rins de estoque na família (meu pai e meu irmão).

Não havia no momento mais o que fazer, uma intervenção cirurgica é muito arriscada, pois poderia perder a outra artéria e consequentemente perder o rim também. Não tinha porque eu ficar por mais tempo internada, era só eu me hidratar melhor e eliminar o contraste do meu corpo que receberia alta.

A alta

Recebi alta ontem, dia 2 de agosto, e hoje consegui ter uma bela noite de sono!



Agora é bola pra frente, estudar bastante, passar em medicina, estudar bastante de novo, até quando precisar de um novo rim e fazer um novo transplante, e voltar a minha vida normal novamente!! Assim como eu nunca esperava ter uma doença tão estranha com apenas 18 anos de idade, eu também não esperava acontecer o que aconteceu com o meu rim transplantado, mas fazer o que, né? Ficar em casa chorando é que eu não vou!! =)

6 comentários:

  1. Parabéns Kraw pela sua postura, pela maneira como conduziu toda a situação, o que mostra o quanto é uma pessoa diferenciada, e iluminada.

    E sua mãe? Que pessoa Fabulosa!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kraw, sua linda, seu estoque de rins é bem maior do que você pensa. Dica :)

      -Ivan

      Excluir
  2. Agradeço a Deus todos os dias, por pertencer a uma familia tao linda, adimiro muito vc...

    ResponderExcluir
  3. Respostas
    1. Vc não, tá gordo já!!! ASDJasdhuASHDUHUDhsadhu

      é brinks! =P

      Excluir
  4. Oi Kraw, meu nome é Raphael Matias, tenho 24 anos e tmbm sou, renal crônico, transplantado há 2 anos. Minha história é um pouco similar a sua, descobri a doença aos 18 anos e minha mãe seria a minha doadora depois de uns 3 anos de diálise e fazendo exame para o transplante, inclusive iria viajar para SP onde iria realizar o transplante de doador vivo, entretanto fui chamado para o transplante de doador falecido, e hj graças a Deus estou a 2 anos transplantado. Gostei da idéia de nome para e meu rim novo não batizado agradeceria uma sugestão sua... =D

    ResponderExcluir