terça-feira, 1 de maio de 2012

Segunda-feria caótica na hemodiálise

Era feriadão, São Paulo estava vazia, chuvosa e gelada, mas não importa, tinha que ir para a hemodiálise mesmo assim. Tinha tudo para ser apenas uma sessão normal, com um número reduzido de pacientes (muitos pedem a "diálise em trânsito", e dialisam na cidade para onde vão viajar), mas tornou-se um caos desde o começo. Ao ligar, um paciente "X" (não vou citar nomes, não acho legal isso) sofreu para furarem a fístula dele, acabou gerando um hematoma...(dá uma olhada na agulhinha que eles furam a fístula aqui, e você aí reclamando quando tem que tirar sangue...eles ficam 4 HORAS com isso no braço). 

Tirando essa ocorrência, e uma deliciosa trocada de curativo do pessoal que tem cateter (agora estou com um curativo que não tem necessidade de trocar toda sessão, apenas uma vez por semana! YAY), a diálise decorreu bem até os 30 minutos finais. A paciente "H" e o paciente "J" começaram a sentir fortes câimbras; a máquina do paciente "X" começou apitar loucamente e foram ver no braço dele a "agulhinha" tinha saído e estava vazando; a pressão do paciente "I" começou a cair e estava sentindo mal estar...ou seja, todos tinham que ser "desligados", e no bloco, só tinham dois técnicos de hemodiálise. De outro lado, estava eu, com a mina bexiga cheia há mais de 1 hora (meus rins funcionam ainda 10%, ainda urino, o que mascarou por anos a minha doença).

E o caos continuou, estancavam o sangramento do paciente "X", desligavam a "H", davam glicose para o "J" e desligavam o "I", e eu lá, faltando meia hora na minha máquina. Já tinham tirado as agulhas e feito o curativo no "X" e no "I", as câimbras de "H" e "J" já tinham passado,  enquanto a minha máquina continuava com 30 minutos faltando. O curativo do "I" vazou (e surge outra poça de sangue no chão da diálise!) e tiveram que trocar, tiraram as agulhas de "H" e "J" e fizeram os curativos, o paciente "X" já estava indo embora, e eu ali, faltando 30 FUCKING MINUTES! O tempo na minha máquina não passava, já estava pensando em arrancar o meu cateter a sangue frio e ir correndo pro banheiro (e depois morrer com hemorragia riairiair). Comecei a sentir dor de cabeça e pedi uma dipirona EV, e esperei. Foram os 30 minutos mais longos da minha vida. Ao me desligarem, sai correndo loucamente para o banheiro (não estava nem aí com o fato que minha pressão pudesse cair e eu desmaiar). Alívio igual àquele eu nunca senti, acho que só irá superá-lo quando tirarem esse meu cateter depois do transplante...sonho com esse dia!

3 comentários:

  1. Nossa Claudia, vc vendo tudo isso !!!!! nao sei como reagiria , vc é forte mesmo....

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  2. Oi Claudinha, você aprontando né!!!! quando quiser fazer xixi, avise que te desligamos para você ir ao banheiro. Não pode prender urina desse jeito, vai acabar tendo infecção urinária!!! Agora que já passei o ralho, posso dizer que adorei o seu blog. Poucas vezes vi pessoas nessa situação com essa força, bom-humor e otimismo que você demonstra. Você está de parabéns!!!!! Torço por você, pelo seu transplante e pra que você realize o sonho de ser uma bixete da medicina. Conte comigo! Beijo, Dra. Juliana.

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  3. Adorei seu blog e vc tbm,memina carismática!!!

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