terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ah, heparina!

A heparina é um anticoagulante, utilizado para prevenir tromboses e outras doenças de coagulação sanguínea. Na hemodiálise, é usada para que o sangue não coagule nas mangueirinhas e não ocorra um desastre. Eu tomava também ela na forma subcutânea, 2 vezes por dia, enquanto estava internada no HC, era na barriga também, assim como o Hemáx, só que não doía praticamente nada. Antes tomar umas 5 heparinas que um Hemáx, vão por mim!

Pois bem, ela é um ANTICOAGULANTE. É meio óbvio que se você estiver sangrando, e tomar isso, ficará sangrando até que o efeito da heparina passe. Mas é claro, tem gente que não lembra de certas coisas, e resolve "cutucar" o cantinho da unha do "dedinho da mão"( o 5º, o mínimo) durante uma sessão de hd, ao ponto de sair sangue...e não parar de sangrar. Foram DUAS horas com aquilo sangrando, foi até cômico!!! Estava com o note, tentando jogar The Sims 3, só que o sangue ficava escorrendo e tinha que ficar limpando toda hora...

      Facepalm eterno!


Mas nem sempre a culpa é minha e da minha total falta de inteligência. Segunda-feira passada, me deram heparina antes de trocarem o curativo do cateter. Ao trocarem o mesmo, perceberam que tinha uma pequena "casquinha", talvez fruto de uma tração do cateter que deve ter causado algum machucadinho. Ao limparem,  aquilo acabou saindo, e então começou a sujeira. Era sangue que não acabava mais. Terminaram de fazer o curativo, só que no final da sessão, umas 3 horas depois do fatídico episódio, o curativo já estava todo vazado, e tiveram que trocá-lo novamente....Mais um parto para tirar todo aquele micropore, que nem gruda na pele direito, né? Nada como uma sessãozinha de tortura a mais! E você aí reclamando quando vai tirar um band-aid! tsc tsc tsc

Medicina: O sonho adiado e o "estágio"

Como muitos devem saber, faço parte de um grupo infeliz de jovens/adolescentes que pegaram a trouxa de roupa e subiram numa carroça no interior e vieram para a capital estudar. Talvez "estudar" não seja a palavra certa, eu diria que a expressão correta é "receber uma lavagem cerebral", o que é muito comum numa instituição conhecida como Cursinho Pré-Vestibular. Pois bem, estudei no Anglo, unidade Tamandaré, conhecido como um dos cursinhos mais lotados de São Paulo, com filas imensas, disputas ferrenhas para um lugar na sala de estudos e senhas para conseguir ser atendida no plantão de duvidas. Fora isso, é um bom cursinho, com um ótimo material e ótimos professores, se você pretende fazer, talvez seja melhor escolher uma outra unidade mais vazia...

O motivo de ter feito cursinho é o mesmo da maioria dos loucos que encaram isso: o sonho de entrar numa faculdade de medicina. Este sonho me persegue desde a oitava série, quando comecei a ver séries médicas como ER (Plantão médico), Dr. House ( Morra David Shore maldito!!!)...(Aí lá vem as pessoas com as pedras "Ui, ela acha que vai ser igual àqueles das séries!"; "Ui, como ela é poser!"; "Ui, essa só quer o status!" entre outros comentários...) Se não fosse essas séries, eu nunca pensaria em medicina. Sou de uma família de classe média baixa, que não tem nenhum parente médico para me influenciar. No cursinho, o que você mais encontra são jovens descendentes de uma linhagem de médicos (cujo o tatatatata[...]tataravô esteve com o Hipócrates), que optam pela medicina só para continuar com o mesmo consultório e o famoso nome da família.

Eis que então em outubro, muito próximo dos vestibulares de verão, e logo após de um maravilhoso, estupendo, magnífico, extraordinário e sensacional show do Eric Clapton, adoeço e toda essa zona começa a acontecer na minha vida. Perdi ENEM, UNESP, FUVEST, UNIFESP, UNICAMP e PUC. Todos pagos ( em média 115 conto por cada, tirando o enem que foi uns 35 dilminhas). Mas nem por isso deixei de ficar feliz por vários dos meus amigos que estiveram comigo em 2011, batalhando para passar no vestibular, e que conseguiram! 

Não considero esse tempo que estou passando como um atraso para a minha vida. A partir desse problema, descobri uma carreira muito legal dentro da medicina, o que pode ser muito promissora se eu resolver seguir: a Nefrologia. Uma área não tão visada pelos recém-formados médicos, porém muito necessária. A cada dia aprendo mais, obtenho mais experiência, conheço a realidade de vários pacientes que estão na mesma, muitas vezes numa pior, situação que a minha e por causa da  curiosidade e da falta  do meu bom senso, acabo fazendo inúmeras perguntas para as médicas que me atendem. Isto para mim é um estágio!

Em dois mil e DOUZE (quem já esteve lá naquele inferno vai entender) minha atenção volta-se apenas para a minha saúde, em breve transplanto e terá o pós operatório, onde o risco de rejeição do rim é muito alto. Mas em 2013, se tudo der certo, volto a minha vida normal, e ao cursinho, para quem sabe em 2014 eu possa ser uma bixete de medicina! =)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vídeo: Kraw e seu destino TROLL

Olá pessoal! O RdK já tem mais 2000 visualizações! Quem diria, um blog que só fala de rim e de lhamas!

Faz um tempinho que não posto nada aqui nesta budega, aí resolvi terminar de editar esse vídeo, que tinha começado no dia que recebi a notícia que teria que trocar de cateter,e acabei até esquecendo da existência dele! ahuahhauhaau
(A imagem que ficou paralisada do vídeo é muito bizarra! AHUDHasudhAUSDHSauduASDUHasd)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O hemax

Uma informaçãozinha antes de lerem a tirinha: "Hemáx" é uma injeção subcutânea ( normalmente barriga ou nas pelancas do braço) que os hemodialíticos tomam quase todas as sessões de hemodiálise. Ela ajuda combater a anemia, que é normal  para nós.

#facepalm

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A investigação dos possíveis doadores vivos

Hoje tive uma consulta que literalmente "deu a largada" (estou bem cliché, não enchem) ao meu esperado transplante. A verdade é que posso receber um rim a qualquer momento, já que estou na fila de doadores defuntos. Mas, esperar para algum infeliz ( e bota infeliz nisso) sofrer um acidente e ter morte cerebral não é  muito bacana , não é mesmo???

A primeira coisa a se fazer (além de esperar infinitamente por uma consulta, e no dia da consulta, aguardar umas 3 horas para ser atendido...mas isso é normal para o nosso querido SUS...) é um teste simples, chamado "cross match" ( a "prova cruzada"), que nada mais é que juntar o meu lindo sangue com o sangue do meu possível doador e ver se não vai ter nenhuma reação. Não é uma bruxaria, mas isso permite saber se o meu corpo irá rejeitar o rim horas depois da cirurgia. 

Aqueles cujo o cross match deu NEGATIVO, ou seja, NÃO HOUVE nenhuma reação, está apto para continuar com a investigação: uma bateria de exames, que tentam achar possíveis complicações para o doador, que o impediria de doar o rim. Os exames envolvem: 123432341324234 exames de sangue, ultrassom, raio-x, ecocardiograma, eletrocardiograma, entre outros. 

Quem passar em todas esses exames, terá o prazer de perder um rim!YAY



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Convivendo com o seu cateter de estimação

Um desabafo do relacionamento que tenho com meu cateter de estimação, talvez esse texto seja o mais viajado que vocês lerão aqui no meu blog. Pensei nisso na ultima hd, confesso que estava meio lesada naquele dia...enfim...
______

Diferente dos cachorros, o cateter não vai pular de felicidade quando você chegar em casa. Até porque ele estará junto com você EM TODOS OS MOMENTOS. E ele só pula se você pular junto. Não é uma sensação muito agradável, diga-se de passagem.

Assim como os gatos, o cateter é um bicho temperamental. Não trate mal o infeliz, senão irá ser chato com você para o resto de sua vida útil. Os mais rebeldes vão querer fugir de você, vão infeccionar e os médicos irão arrancá-los, trazendo mais sofrimento para a tua vida.

Você não toma banho com seu cachorro, certo? Você toma banho e dá banho no cachorro SEPARADAMENTE. Não que você vai arrancar o teu cateter para tomar banho, mas sim irá tampar o curativo para não molhar e criar fungos, o que não é nada legal também. Quando for trocar curativo, geralmente durante as sessões de hemodiálise, junto com o micropore sairá umas 3 camadas de pele junto, ficará em carne viva. Mas não tem problema, eles vão passar um líquido parecido com álcool, você vai chorar, mas pelo menos ficará limpinho. 

Mas lembre-se:
                                                                 mesmo te mordendo,


te arranhando,

ou até cuspindo em você (caso tenha uma Lhama),

o teu bichinho de estimação te faz mais feliz! 
Assim também é o cateter. Ok,"feliz" não é a palavra certa, eu diria "viva".



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A infecção e o novo permcath

Olá pessoal! Escrevo esse post ainda com dores, pois hoje tive que passar por outra pequena cirurgia para trocar de cateter.

Há pouco mais de uma semana, venho sofrendo com uma pequena infecçãozinha no orifício onde saí o cateter. Até então, estava tratando com pomadas e antibióticos (vancomicina, carinhosamente chamado de "vanco") durante as hemodiálises. Mas continuou saindo secreção purulenta quando apertava na região, e ontem (quarta-feira), enquanto trocavam o curativo na hemodiálise, a médica decidiu que estava na hora de trocar de cateter. 

O procedimento É SIM dolorido, não se pode negar. Na hora, você toma uns picadas de xilocaína, mas mesmo assim, você sente a pressão, mas não a dor. A dor aparece, é claro, quando o efeito da anestesia local passa. E é esta a dor com que estou agora, mesmo tomando analgésico (dipirona sódica).

Desta vez, o permcath está localizado no lado esquerdo. É maior que o outro, pois tem que alcançar a veia cava, que fica mais distante agora.

São 4 cortes no total: o que estava infeccionado e o que foi feito para tirar o antigo à esquerda da foto; e à direita está os outros dois que foram feitos para colocar o novo permcath. Todos esses curativos e todo esse calor de São Paulo são uma combinação e tanto...eu não poderia estar mais feliz! (NOT).

Se você tem curiosidade, ou é um futuro aluno de medicina, ou tem um estômago forte, neste link tem uma animação de como é feito a implantação do permcath. Have fun! http://www.youtube.com/watch?v=9tnlyM0M_mQ

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Hipster Kraw

(O por que deveria ser junto, segundo a bixete da USP Roberta Forster)

Os líquidos e o "peso seco"

Embora sempre ouvimos que beber muita água faz bem aos rins, essa dica não é para todos os casos. Funciona até muito bem para prevenção de cálculos renais ( as pedras, como são normalmente chamadas), mas e para alguém que praticamente não tem os rins???

Aí está o dilema. Com o rim falido, os líquidos não são eliminados como normalmente, esta é uma das funções da diálise. Para nós, a água é extremamente restrita, o que torna esses dias infernais de verão ainda mais insuportáveis. Enquanto fiquei internada, recebia um copinho com o equivalente a 250 ml de água para o dia inteiro, usava-o praticamente apenas para engolir os medicamentos. 

"O excesso de líquidos leva a formação de inchaço principalmente nas pés e tornozelos, água no pulmão, falta de ar, aumento da pressão arterial e exige maior esforço cardíaco."
( informação retirada duma revistinha batuta com dicas de nutrição para hemodialíticos)

Quando extrapolamos, chegamos na hemodiálise "pesados", ou seja, com uns quilos a mais que o considerado o nosso "peso seco". O peso (físicos gonna fisicar, eu sei que o certo é falar massa, não achem o saco) seco é estipulado pelo médico, e a cada diálise, a máquina retira uma quantia de líquido para alcançar este peso. Tem dia que chego a emagrecer cerca de 2 kgs em apenas 4 horas!!!Brinca!!

Mas queridos leitores que são loucos para perder uns quilinhos, não vão querer ferrar os vossos rins para perder peso numa hemodiálise, garanto que praticar um esporte físico é muito mais supimpa e saudável do que isso, vão por mim!!



domingo, 5 de fevereiro de 2012

Um dado interessante, ou não

Ok, agora sério.
10 milhões, gente! E a maioria desconhece! A quanto tempo você não faz um check-up, eim? Um hemogramazinho não mata ninguém! Cuide de seus rins!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Discordâncias entre o sistema ABO e o doador universal

Isso que vou contar agora aconteceu há algum tempo já, mas hoje estava lembrando e resolvi falar um pouco sobre...

No dia 5 de janeiro, eu e minha mãe fomos para o HC fazer os meus exames do transplante, o primeiro seria o de sangue. Depois de uma fila imensa, típica de São Paulo, finalmente fui atendida pela enfermeira ( na verdade, alguém da enfermagem, acho que era técnica de enfermagem... não sei). E minha mãe começou a conversar com ela, enquanto a mesma preparavam os materiais para retirar um pouquinho do meu sangue ( 10 ampolas, sem exageros)...

Mãe: bla bla bla sabemos que ela ( a Kraw) é O, e eu sou O+...
Enf: Mas você vai poder doar (o rim) para ela sim, mesmo se ela for O-, por que O+ é doador universal!!!
Mãe: Não! Doador universal é o O-!!
Enf: Magina! Você não esta enganada não?? É O+!! (Disse com todo o seu ar de sabedoria)

Boa champs, tá certinha!!

E eu fiquei calada né, até porque....pra que teimar com uma pessoa que estava furando o teu braço, não é mesmo???

OBS1: Se você não se lembra, ou até mesmo faltou às aulas de biologia, o tipo sanguíneo que é considerado doador universal é o O - ( OHHH NEGATIVO!!!)

OBS2: Como meus pais são ambos O +, eu tinha certeza que era O, só não sabia se negativo ou positivo ( conforme a genética, o fator RH é determinado por um par de genes, sendo eles R ou r. Os dois poderiam ser Rr e Rr e ter me gerado rr, vai saber...) . O exame saiu e confirmou que sou O+ mesmo...

OBS3: Para o transplante renal, o fator Rh não importa. Querendo ou não, a enfermeira tinha um pouco de razão...a minha mãe, por ser O, é poderia muito bem doar o rim pra qualquer um, menos o sangue.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

As formas de insuficiência renal

Há duas formas de insuficiência renal, a Crônica e a Aguda. 

Não deve ser muito fácil diferenciar as duas, mas uma diferença básica é que a versão crônica caracteriza-se por um perda progressiva da função renal, e é irreversível. Sim, caros leitores, um doente renal crônico é doente renal crônico forever and Ever! O transplante é apenas uma forma tratamento, não a cura. É um modo de se livrar das chatas sessões de diálise.

A forma aguda é um a perda rápida da função renal, é uma doença grave e considerada como emergência médica. Se tratada adequadamente, é usualmente reversível. 

Agora adivinham qual eu escolhi???
A Crônica, é claro. Pra que ter uma doença que tem cura? =P
(Gif da Tina Fey em homenagem à minha amiga Nayara Xavier, que sei que adora ela! ><)

Os diagnósticos

Hoje vou falar dos diagnósticos que recebi até chegarem no IRC (Insuficiê...ah vah, gente, dá pra entender!!, né??).

1- Bem, depois que descobri que estava com pressão alta, logo falaram que seria um problema na minha tiroide. Tenho um primo que está com câncer nisso, o que aumentava ainda mais a suspeita.

2- No cardiologista, cheguei com pressão alta e vomitando pra caramba, ele me diagnosticou como uma pessoa  hipertensiva (sem motivos, ainda) e esses vômitos nada mais seria do que uma virose.

3- Como eu estava muito fraca de tanto vomitar, sem conseguir comer nada, me levaram para o hospital de Jalão Tropical, e o médico de lá, falou que eu estava estressada e com verme, e de bônus falaram que tenho ovário policístico!!!

4- Vim para São Paulo na esperança de conseguir prestar o Enem, mas ainda estava muito fraca e vomitando demais, obviamente não consegui. Na outra semana, me convenceram a voltar para Jales e me levaram num psiquiatra, e fui diagnosticada como uma pessoa depressiva.

5- Até que finalmente, após saírem os resultados dos meus exames de sangue, veio o diagnóstico certo, feito pela corpo clínico do Hospital das Clínicas da USP, de que eu era uma Doente Renal Crônica, na fase terminal e que precisava de fazer hemodiálise e transplante. 

Assim que fui diagnosticada como depressiva, passei a tomar anti-depressivos e calmantes e meus sintomas pararam, e tínhamos até pensado em não mais fazer os exames que o cardiologista receitou, mas graças ao psiquiatra, que reparou que eu estava muito branca (mais que o meu normal, é claro), e disse para fazer pelo menos o hemograma, porque certamente eu estava anêmica.

Agora vocês imaginam, quantas pessoas não morrem sem saber o que realmente tem? Depois que passei a tomar anti-depressivos e calmantes eu estava completamente normal! Fui até pro cursinho e tudo...estranho né?